Fora da universidade, estudante se forma, e sai com diploma e dívida de R$ 70 mil - Caarapó Online

Caarapó - MS, sexta-feira, 25 de setembro de 2020


Fora da universidade, estudante se forma, e sai com diploma e dívida de R$ 70 mil

O custo do ensino superior é alto para quem precisa pagar e mora num Estado onde a rendimento médio do trabalhador é de R$ 2.150

Publicado em: 04/08/2020 às 08h04

Aline dos Santos

Há dois anos, quando concluiu o tão sonhado curso de Direito, Osvaldo Filho, 31 anos, levou da experiência na faculdade o diploma e uma dívida que calcula em R$ 70 mil do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), criado para facilitar o acesso dos mais pobres ao ensino superior.


Enquanto o “público” da universidade pública é na maioria egressos do ensino privado, quem ficou de fora das instituições gratuitas precisa procurar formas de não ver a parede de diplomas ficar só com o certificado do ensino médio.


Em 2012, Osvaldo estava otimista com o financiamento de 100% do programa, que lhe permitiu custear mensalidades de R$ 700 no começo do curso aos R$ 1.400 mensais cobrados no último ano.

“Hoje, dentro da atual realidade, percebo que não é tão viável pagar. Mas na época não tinha outra opção. Era a única dentro da minha possibilidade. No último ano do ensino médio, cheguei a estudar numa escola particular, pensando em tirar boa nota e conseguir ir para a universidade federal. Não consegui e isso me barrou no Prouni”, conta.


O Prouni (Programa Universidade para Todos) converte impostos não pagos por instituições privadas de ensino superior em vagas para alunos de baixa renda.

O programa concede bolsas (integral ou de 50%), mas o candidato deve ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em escola da rede privada como bolsista. Como Osvaldo fez o terceiro ano do ensino médio na condição de aluno pagante em escola particular, não pôde tentar uma vaga.


Com o FIES, o então acadêmico deixou a fatura da universidade para pagar depois de formado. Já para se manter durante o curso, que exige gastos como compras de livros e participação de congressos,  trabalhava de dia para estudar à noite.

“Toquei o curso trabalhando no varejo, em loja de shopping. Também fazia estágio voluntário e a faculdade à noite”, afirma.


Um ano e seis meses após concluir a graduação, começou a pagar R$ 400 mensais  do financiamento estudantil. Ele avalia que o prazo de carência de dezoito meses é muito curto numa profissão que se leva de cinco a dez anos para fazer uma carreira. Essa é a perspectiva de tempo para quem não tem sobrenome tradicional no Direito e não herdou uma cartela de clientes.