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Caarapó - MS, quinta-feira, 1 de outubro de 2020


Com UTIs lotadas, Defensoria pede à Justiça lockdown urgente em Campo Grande(MS)

Com UTIs lotadas, Defensoria pede à Justiça 14 dias de lockdown em Campo Grande

Publicado em: 05/08/2020 às 06h20

Edvaldo Bitencourt

Com praticamente todos os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ocupados, a Defensoria Pública recorreu à Justiça para decretar lockdown por 14 dias em Campo Grande,. A medida é considerada a única alternativa viável para frear o avanço da pandemia na Capital, que contabiliza 11.213 casos positivos e 149 mortes, conforme boletim divulgado na terça-feira (04.08) pela Secretaria Estadual de Saúde.

A maior preocupação é com a falta de leitos de UTI. Mesmo com a ativação emergencial de aproximadamente 159 novos leitos em decorrência da covid-19, 95% das vagas já estão ocupadas, conforme levantamento divulgado pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O índice é superior aos 93,7% citados pelo defensor público-geral, Fábio Rogério Rombi da Silva. A taxa de ocupação segue 100% na Santa Casa, Hospital El Kadri, Pênfigo e Hospital Regional Rosa Pedrossian.

O isolamento total foi recomendado pelo pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz e ex-diretor do Ministério da Saúde, Júlio Croda, e pelo programa Prosseguir, instituído pelo Governo do Estado para orientar as ações de combate à pandemia nos municípios. No entanto, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) descartou o bloqueio total, optando por ampliar a flexibilização das medidas, como elevando a taxa de ocupação de 30% para 50%, reabrindo as lojas e shoppings nos finais de semana e retardando o toque de recolher.

Na ação, a Defensoria destaca que houve a explosão no número de casos após a flexibilização. Entre 15 de junho e 15 de julho, o número de casos positivos na cidade saltou de 724 para 5,2 mil. Somente nos últimos 15 dias, dobrou o número de infectados, chegando a 11.213 hoje.

Embalado pela disseminação na Capital, o Estado registrou 1.033 novos casos nesta terça-feira, só ficando atrás do recorde de 1,5 mil casos registrados no mês passado. Mato Grosso do Sul conta com 433 mortes causadas pela covid-19, sendo que 149 ocorreram em Campo Grande.

No pedido para a Justiça decretar lockdown, o defensor público-geral destaca que não há outra medida para conter o coronavírus. “Ainda não há vacina disponível, ao lado de medidas individuais como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória ao tossir/espirrar e uso cotidiano de máscaras que cubram eficientemente nariz e boca, medidas coletivas como o isolamento social são imprescindíveis para diminuir a velocidade de contágio”, explicou.

“A ocupação de leitos de UTI superior a 80% já é muito grave. Significa que em questão de poucos dias os escassos leitos remanescentes serão ocupados e a partir daí muitas vidas perecerão por falta de assistência. Campo Grande já registra desesperadores 93,47% de ocupação de todos leitos de UTI”, dramatizou.


“Aliás, não fossem aquelas contratualizações acima mencionadas, a ocupação de leitos de UTI em Campo Grande já estaria em 100% a alguns dias e os médicos obrigados a escolher, dentre vários pacientes que precisam da vaga, quem teoricamente teria a melhor indicação clínica para ocupá-lo. Por outras palavras, teriam de escolher quem mereceria receber uma chance de sobreviver e quem ficaria fadado à morte face à falta do leito especializado”, alertou, seguindo a orientação de pesquisadores, de que haverá colapso nos próximos dias.

“Campo Grande, caso não haja uma radical mudança de rumo, caminha para vivenciar justamente esse caos de vida e morte. A contratualização, que até agora conseguiu impedir o pior, é sistema que já se esgotou, seja pela falta de outros leitos a serem contratualizados, seja pela escassez de equipes especializadas no atendimento em leitos de UTI”, alertou.


De acordo com o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, outro problema é a falta de profissionais de saúde para trabalhar em UTI. Há escassez de profissionais. Na semana passada, hospitais estavam desesperados atrás de medicamentos usados em pacientes internados em leitos intensivistas, que estavam em falta no País.