Filho pedala 1.500 km de bike para levar cinzas do pai ao lugar de infância - Caarapó Online

Caarapó - MS, quarta-feira, 30 de setembro de 2020


Filho pedala 1.500 km de bike para levar cinzas do pai ao lugar de infância

Jornada foi um sonho realizado de conhecer local onde o avô viveu e retornar cinzas do pai ao mágico lugar da sua infância

Publicado em: 08/08/2020 às 17h14

CGR News

Depois de pedalar 1.500 quilômetros durante cinco dias, remar 9 horas pelo rio Paraguai, entre ariranhas, capivaras e jacarés, e ser recebido com uma noite de lua cheia, o brasiliense Frederico Augusto Santa Rita Peres de Ataíde Gall, de 47 anos, chegou ao Forte Coimbra, uma construção localizada às margens do rio, na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, no distrito de Coimbra, município de Corumbá (MS), em Mato Grosso do Sul. A jornada foi um sonho realizado para conhecer o local onde o avô viveu e retornar as cinzas de seu pai ao mágico lugar da sua infância.


A jornada de dias foi realizada ao lado do amigo Weimar Pettengill, multi atleta e jornalista, que também cresceu em Mato Grosso do Sul, e fez questão de compartilhar uma aventura cheia de histórias, família e amizade. Juntos reafirmaram que a vida é breve, e importante demais para não ser vivida em sua plenitude. Durante os dias de viagem o sofrimento virou desafio, desconforto virou piada entre amigos, mas não teve sol quente, vento, sede ou fadiga que os fizessem desistir.


Escoltados por outro companheiro que levava mantimentos, água potável e a canoa para o trecho da viagem feito pelo rio, os dois amigos encararam a pedalada com força e compartilham detalhes nas redes sociais com muita sensibilidade. O motivo da viagem se deu com um sonho de Frederico, que já foi atleta de corrida de aventura e hoje trabalha como confeiteiro em Brasília (DF). Seu avô, Camillo Commoreto Gall foi comandante, na década de 50, do Forte Coimbra, considerado marco fronteiriço entre Brasil, Bolívia e Paraguai.


Erguido em 1775, a construção imponente é a primeira visão para quem sobe o Rio Paraguai, vindo da Bolívia. Histórica, a estrutura ainda serve de instalações para militares na região. Para Frederico, o Mato Grosso do Sul e o Forte, em especial, tem grande importância na história da família, e o gesto de depositar as cinzas de seu pai, que sempre quis voltar ao Pantanal, mas faleceu em 2014, foi uma realização de um sonho no recanto da natureza.


“Eu já sabia que teria um resultado transformador, mas posso dizer que foi uma experiência única em minha vida. Infelizmente não tive contato com o meu avô e meu pai sempre contou as histórias dele. Quando ele estava vivo, a gente sempre pensou em ir até lá, mas nunca deu certo, havia sempre uma limitação. Esse ano eu decidi realizar esse sonho”, conta Frederico.


Do asfalto à água, no pedal e no remo, não houve preguiça para esses dois amigos realizarem o sonho de chegar ao Pantanal e ao Forte Coimbra (MS). Ao final da jornada, escoltado pelo Comandante do Forte, recebido pela Guarda Imperial, registrado pelo amigo Weimar, Frederico recebeu as homenagens da tropa e seguiu para as margens do rio Paraguai para terminar a missão em uma canoa. Ele o amigo remaram até o leito do rio para as devidas homenagens ao pai de Frederico e retornaram suas cinzas ao mágico lugar de infância. “Das tardes mais emocionantes que já tive a oportunidade de presenciar”, descreveu o amigo e jornalista Weimar.