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CAARAPÓ - MS, quarta-feira, 22 de setembro de 2021


Família brasileira vive momentos de horror devido às fortes chuvas na Alemanha

As chuvas mais intensas a atingirem o oeste da Alemanha e o leste da Bélgica em mais de 100 anos deixam pelo menos 128 mortos e dezenas de desaparecidos. Desastre reforça debate sobre mudanças climáticas. Família brasileira vive momentos de horror

Publicado em: 17/07/2021 às 09h48

Rodrigo Craveiro

Pelo menos 128 mortos, 1.300 pessoas ainda não localizadas e cidades parcialmente destruídas pela força da água. As piores enchentes a afetarem, em mais de um século, o oeste da Alemanha, a Bélgica e a Holanda, deixaram um rastro de destruição e lançaram o tema das mudanças climáticas ao centro da pauta na União Europeia (UE). Luxemburgo e Suíça foram atingidas em menor grau. “Essas inundações confirmam o que a ciência diz sobre o aquecimento climático”, declarou a alemã Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, órgão executivo do bloco. O assunto também deve dominar a campanha para as eleiçõe s legislativas na Alemanha, em 26 de setembro.

Até ontem, sexta-feira (16.07) 108 corpos tinham sido resgatados na Alemanha e 20 na Bélgica. As equipes da defesa civil e os bombeiros buscam pessoas enterradas sobre os escombros de casas e as pilhas de concreto, árvores e carros. As autoridades alemãs temem que o número de mortos se aproxime de 200 nas próximas horas. “Essas são as inundações mais catastróficas que nosso país já vivenciou”, lamentou o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo.

Uma família brasileira viveu um pesadelo em Bad Neuenahr-Ahrweiler, no estado da Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha. O primeiro sinal de que havia algo estranho foi a passagem de um carro de som pela rua onde moram o casal de catarinenses Lucas Spader e Marcela Amandio e a filha, Olívia, de 7 anos. “Como não entendo o idioma, nem imaginava que seria para avisar algo sobre a enchente". Isso ocorreu às 20h (15h em Brasília).

Logo em seguida, no grupo de mães da escola da Olívia, no WhatsApp, anunciaram a suspensão das aulas, pois a água do Rio Ahr estava com o volume muito alto. Voltei a me deitar e, às 22h, tocou uma sirene da Segunda Guerra Mundial que hoje somente soa em caso de emergências”, contou Marcela a imprensa. Foi quando a vizinha pediu-lhe que tirasse o carro e levasse documentos e eletrodomésticos importantes para a casa dela, em uma área mais alta.

Nesse momento, a brasileira percebeu a gravidade da situação. Ela carregou Olívia, que dormia, pegou todas as roupas da filha e deixou-a na vizinha. Quando voltou, a água estava na altura da cintura. Lucas, funcionário de um restaurante na cidade, chegou em casa e ajudou a esposa a retirar tudo o que fosse de mais importante. O rio continuava subindo, e a água se aproximava do apartamento da vizinha. “Era muito correnteza, muito pau. Um carro desceu, e vidros começaram a estourar. Parecia o barulho do filme Titanic, quando as vidraças estouraram. Minha filha ficou desesperada e começou a gritar que morreria, pois não sabia nadar.

Tiramos força de onde não tínhamos. Subimos no cano da calha, eu, minha vizinha e o namorado dela. O Lucas pegou uma cadeira, e eles puxaram a Olívia pelo braço. Com a ajuda dele, consegui agarrar na laje e fui escalando, até chegar ao telhado”, relatou Marcela, que trabalha como faxineira em Bad Neuenahr-Ahrweiler. A família e os vizinhos passaram a madrugada de quinta-feira dormindo sobre o telhado. Ontem, Lucas, Marcela e Olívia estavam na casa de amigos brasileiros.

Em Heimersheim, a 5km de Bad Neuenahr-Ahrweiler, Justin Gräbe, 23, relatou à reportagem que muitas partes da cidade estão submersas. “Os rios Ahr e Rhein subiram de forma massiva e a água engoliu tudo pelo caminho: casas, estações ferroviárias, pontes, ferrovias e estradas”, disse. “A situação é terrível, e as pessoas trabalham em cooperação para tentarem superar isso. Muitas barragens correm o risco de rompimento.

O estudante Gökhan Artylerzysta, 19 anos, mora no vilarejo de Flamersheim, 31km a noroeste de Bad Neuenahr-Ahrweiler e a 7km da cidade de Euskirchen, no estado de Renânia do Norte-Vestfália. Ele compara a destruição à Terceira Guerra Mundial. “Há muitos desaparecidas. Nosso vilarejo e os vizinhos estão vazios. Euskirchen soma 18 mortos”, contou a imprensa. Segundo ele, o pesadelo foi agravado pelo risco de rompimento da barragem Steinbachtalsperre, construída em 1933. Nas redes sociais, moradores do oeste da Alemanha se articulam para arrecadar doações aos desabrigados e oferecer quartos.

Incêndios florestais castigam o noroeste dos Estados Unidos

Enquanto na Europa, as fortes chuvas causam mortes e devastação, o oeste dos Estados Unidos e o Canadá enfrentam o início brutal da temporada de incêndios florestas. A situação agravou-se, ontem, no estado norte-americano de Oregon, quando um foco maciço explodiu em condições secas e ventosas. As autoridades dos EUA que lutam contra incêndios florestais elevaram sua preparação interinstitucional ao mais alto nível. É o primeiro movimento desse tipo em uma década, enquanto a região sofre com os efeitos de ondas de calor consecutivas, que, segundo os especialistas, pioraram com o aquecimento global.

“Este fogo vai continuar crescendo, a vegetação e o clima extremamente seco não estão ao nosso favor”, disse Joe Hessel, que lidera uma equipe que combate o incêndio de quase 92 mil hectares no Oregon. Queimando o equivalente a 130 mil campos de futebol, o Bootleg Fire — a mais de 400 km ao sul da cidade de Portland — é o maior incêndio ativo nos Estados Unidos, expelindo uma espessa fumaça visível do espaço, que cobre partes dos vizinhos Washington e Idaho.