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CAARAPÓ - MS, quarta-feira, 22 de setembro de 2021


O que esperar da educação com o retorno presencial das aulas no Estado?

Aulas presenciais no município começam dia 26 de julho e, no Estado, em 2 de agosto

Publicado em: 25/07/2021 às 05h56

Rafaela Moreira

Depois de mais de um ano de ensino remoto, as aulas presenciais devem ser retomadas em breve no Estado. Devido ao período de ensino remoto, especialistas ouvidos pelo Correio do Estado avaliam que o retorno trará grandes dificuldades, principalmente para os alunos mais pobres.

Com a pandemia em Mato Grosso do Sul, os ambientes escolares foram substituídos pelo ensino remoto em março de 2020, com o objetivo de amenizar os efeitos que o isolamento social impôs à educação.

“Eu acho que a escola deveria ser considerada atividade essencial desde o começo. O sistema público está folgado, esperando sempre o semestre que vem para fazer alguma coisa e não faz nada. Era para ter aumentado o número de salas, aumentado os espaços abertos nas escolas, agora teremos um prejuízo grande para resolver”, defendeu a doutora em Educação Ângela Maria Acosta.

Para conter o avanço da doença atrelada às aulas presenciais na Capital, a Rede Municipal de Ensino (Reme) fará o ensino escalonado. Com uma série de mudanças na rotina escolar, a retomada está prevista para o dia 26 de julho.

Já as escolas da Rede Estadual de Ensino (REE) de Mato Grosso do Sul retornarão às aulas presenciais a partir de 2 de agosto deste ano, com rodízio de alunos.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira, defende o retorno presencial, desde que não coloque em risco a comunidade escolar. De acordo com dados do Vacinômetro do Estado, cerca de 55.887 mil trabalhadores da educação receberão pelo menos uma dose do imunizante contra a Covid-19. Atualmente, mais 95% dos profissionais da educação receberam pelo menos uma dose do imunizante contra Covid-19.

A Sesau aponta que até o retorno das aulas, a maioria dos profissionais já terão se vacinado com a segunda dose da vacina contra a Covid-19. “Estamos de acordo com o retorno presencial desde que não coloque a vida de ninguém em risco, não devemos colocar a vida de famílias, educadores e toda a comunidade escolar em risco”, alegou.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre 2019 e 2020 a evasão escolar em Mato Grosso do Sul chegou a 2,2% no ensino fundamental e 6,8% no ensino médio.

Com o retorno, a doutora em educação Priscila Barros, defende o início de um processo de recuperação das aprendizagens, com avaliação diagnóstica, devido ao tempo em que os alunos permaneceram apenas com aulas remotas em 2020.

“É grave a situação de evasão, muitos alunos que saíram das escolas, inclusive por falta de condições tecnológicas, as escolas terão que ir atrás de seus alunos. Para o retorno será necessário realizar um trabalho grandioso para retomar da onde paramos”, apontou.

A pesquisa recente apresentou-se um cenário em que 40% dos estudantes da Educação Básica no Brasil não estão evoluindo na aprendizagem. Conforme relatado pelos pais ou responsáveis, desmotivados, grande parcela dos estudantes consideram abandonar os estudos.

Em relação ao impacto da pandemia na alfabetização, a pesquisa apontou que mais da metade das crianças, por volta de 51%, estacionou na aprendizagem. Em 22% dos casos, os pais alegam que houve retrocesso, ou seja, as crianças desaprenderam conteúdos com os quais já estavam familiarizados.

“Passamos por um momento delicado na educação do país, nada substitui o professor em sala, vai ser preciso um tempo para retornarmos a normalidade. Precisamos ir atrás desses alunos e garantir que retornem para as escolas, esse é o único caminho para dias melhores”, relatou a educadora.

QUAIS MEDIDAS SERÃO TOMADAS?

Com o retorno iminente, foi determinado protocolos de biossegurança, para as atividades presenciais. Com isso, serão organizados horários para entrada e saída de estudantes, medidas de higienização constantes, aferição de temperatura, distribuição de cartazes informativos, uso de bebedouro só para encher garrafas e os alunos deverão ficar a uma distância mínima de 1,5 metro.

Pais devem ser orientados a não enviarem os filhos para a escola caso apresentem sintomas da doença, além de serem orientados sobre o uso obrigatório de máscaras e distanciamento entre os alunos.

O uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) será obrigatório e haverá a distribuição dos materiais de higiene para as escolas. Os pais e responsáveis deverão ainda estar em alerta aos sinais das síndromes gripais e manter os filhos em casa, caso estejam sintomáticos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), haverá limite de ocupação das salas de aula de 30% a 50%. Por esta razão, para o revezamento, uma turma poderá ser dividida em três. Os horários das entradas, tanto no matutino quanto no vespertino, serão adaptados para evitar aglomerações.

Na educação infantil, a entrada dos alunos com 5 anos será das 7h e às 13h; no ensino fundamental I (alunos do 1° ao 5° ano), será das 7h15 e às 13h15; e no ensino fundamental II (do 6° ao 9° ano), das 7h30 e às 13h30.

Em relação às saídas, serão antecipadas para às 10h, para os alunos do matutino, e às 16h, para os do vespertino. Enquanto na rede estadual, as atividades presenciais seguirão as restrições das bandeiras do mapa do Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir).

A rede estadual possui cerca de 200 mil alunos em todo o Estado; 345 escolas em todos os 79 municípios do Estado; 16 mil docentes e 5 mil técnicos administrativos, conforme a Secretaria Estadual de Educação (SED).

A quantidade de alunos em sala de aula será definida a partir da cor da bandeira de cada município.

Em grau “extremo” (bandeira cinza) - 30% dos estudantes presentes em sala – 9 alunos em sala de aula;
Em grau “alto” (bandeira vermelha) - 50% dos estudantes presentes em sala – 15 alunos em sala de aula;
Em grau “médio” (bandeira laranja) - 70% dos estudantes presentes em sala – 21 alunos em sala de aula;
Em grau “tolerável” (bandeira amarela) - 90% dos estudantes presentes em sala – 27 alunos em sala de aula e
Em grau de risco “baixo” (bandeira verde) - 100% dos estudantes presentes em sala – todos os alunos em sala de aula.