Cepa viral DELTA a mais infecciosa do Sars-CoV-2, é virulenta como a catapora - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, quarta-feira, 22 de setembro de 2021


Cepa viral DELTA a mais infecciosa do Sars-CoV-2, é virulenta como a catapora

Informação consta em documento do centro de controle de doenças do país e pode ter embasado a decisão do governo de voltar a recomendar o uso de máscaras. OMS enfatiza que a cepa mais infecciosa do Sars-CoV-2 não tem maior taxa de letalidade

Publicado em: 31/07/2021 às 09h36

Correio Brasiliense - France Press

Documentos internos do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos indicam que a variante Delta é tão contagiosa quanto à catapora e causa consequências mais sérias nos infectados. O material criado para o uso interno da agência foi divulgado por grandes jornais do país, como o The Washington Post e o The New York Times. Pouco tempo depois do vazamento dos dados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que essa cepa do coronavírus não apresenta um risco de morte maior do que o das outras e reforçou que todas as vacinas já aprovadas por eles funcionam contra as mutações do Sars-CoV-2.

De acordo com os periódicos americanos, os dados divulgados pelo CDC fazem parte de uma apresentação de slides preparada por funcionários da agência. No documento, os especialistas citam dados de diversos estudos científicos de países distintos, como Canadá, Cingapura e Escócia, para corroborar suas conclusões. No texto, os especialistas da instituição destacam que o governo deve “reconhecer que a guerra mudou”, dado o quão perigosa é a nova variante, identificada, pela primeira vez, na Índia. O material obtido pelos jornais ressalta que a Delta é mais transmissível que outros patógenos da mesma família do coronavírus, como Sars e Mers, e também que o da varíola e do ebola.

Os slides também trazem dados relacionados a um surto de covid-19 registrado durante o feriado nacional de 4 de julho, na região de Cape Cod, no estado de Massachusetts. Uma comemoração teria deixado 469 pessoas doentes, mesmo com a maioria dos presentes vacinados (74%). Entre as amostras sequenciadas, o CDC descobriu que a grande maioria era da variante Delta, informou o jornal The Guardian.

Para o órgão americano, por mais que as vacinas previnam 90% a forma grave da enfermidade, as características da variante sugerem que os imunizantes podem ser menos eficazes quanto à transmissão e à infecção do coronavírus. “É um dos vírus mais transmissíveis que conhecemos. Sarampo, catapora, estão todos lá em cima”, declarou, à rede de televisão CNN Rochelle Walensky, diretora do CDC.

Os documentos foram divulgados poucos dias depois de a agência americana ter mudado a orientação quanto ao uso de máscaras no país. O CDC recomendou que mesmo as pessoas vacinadas devem usar o equipamento de proteção em ambientes fechados, especialmente em áreas classificadas como de alta transmissão do vírus. Acredita-se que o relatório pode ter embasado as mudanças nas indicações protetivas.

Vacinação nos EUA

Os EUA têm, em média, 62 mil novas infecções por covid-19 por dia, e a grande maioria dos hospitalizados e mortos pela doença não foi vacinada. Em todo o país, 49,8% dos americanos estão totalmente imunizados, segundo o CDC. Para combater a estagnação da imunização em solo americano, o presidente Joe Biden pediu às autoridades locais que paguem US$ 100 para aqueles que receberem a primeira inoculação.

Em coletiva de imprensa, Maria van Kerkhove, líder técnica da OMS e uma das responsáveis pela campanha de combate à covid-19, declarou que taxas mais altas de mortalidade não foram registradas para a variante Delta, sugerindo que, embora ela possa ser mais transmissível, não significa, necessariamente, um risco maior de morte. “Alguns países relataram aumento nas taxas de hospitalização, mas taxas mais altas de mortalidade não foram registradas quanto à variante Delta”, declarou.

Kerkhove também ressaltou que a nova variante é cerca de 50% mais transmissível do que as outras cepas do Sars-CoV-2. Principal especialista em emergência da OMS, Mike Ryan complementou afirmando que as vacinas aprovadas pela OMS permanecem eficazes contra a doença. “Todas as vacinas atualmente aprovadas pela OMS fornecem proteção significativa contra doenças graves e hospitalização”, ressaltou. “Estamos lutando contra o mesmo vírus, mas um vírus que se tornou mais rápido e mais bem adaptado para se transmitir entre nós, humanos. Essa é a mudança.”