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CAARAPÓ - MS, quinta-feira, 18 de agosto de 2022


Covid: Casos graves estão ligados a exaustão e envelhecimento do sistema de defesa

Fenômeno gera uma imunodeficiência aguda, deixando os indivíduos mais vulneráveis

Publicado em: 26/11/2021 às 06h49


Os casos graves de covid-19 estão ligados a um processo de exaustão e envelhecimento do sistema de defesa humano. A constatação, feita por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pode explicar duas complicações comuns em que teve a doença: as infecções secundárias, principalmente por bactérias, e as reinfecções pelo Sars-CoV-2.

A equipe chegou à conclusão após analisar amostras retiradas de 22 pacientes internados com casos graves de covid-19 e material coletado de indivíduos saudáveis. Detalhes do trabalho foram divulgados na revista científica Journal of Infectious Diseases.

Segundo Alexandre Morrot, o coordenador do estudo, o fenômeno acomete os linfócitos T auxiliares, que funcionam como uma espécie de maestro do sistema imunológico. Em uma infecção, eles reconhecem as proteínas virais e ativam as células de defesa responsáveis por combater o micro-organismo invasor e produzir anticorpos. Nas amostras dos pacientes com covid grave, detectou-se sinais de hiperatividade, exaustão e envelhecimento dessas células de defesa humana.

É como se o corpo entrasse em uma condição de imunodeficiência aguda, ilustra o pesquisador. Há, dessa forma, uma queda na imunidade que deixa os indivíduos mais vulneráveis para contrair outras infecções. "Observamos que os linfócitos T CD4 (auxiliares) estão em estágio final de diferenciação, apresentando marcadores de exaustão e senescência.

São células que perderam a capacidade de expansão clonal, ou seja, não vão se multiplicar ao entrar em contato com as proteínas virais e não vão conseguir comandar uma resposta imunitária eficiente", detalha Morrot, também pesquisador do Laboratório de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, à Agência Fiocruz de Notícias.