Justiça nega pedido de prisão a William Bonner por incentivo à vacinação infantil - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, sexta-feira, 20 de maio de 2022


Justiça nega pedido de prisão a William Bonner por incentivo à vacinação infantil

A juíza responsável pela decisão classificou a solicitação como descabida

Publicado em: 17/01/2022 às 09h39


O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negou, no domingo (16.01), um pedido de prisão contra o jornalista William Bonner da rede Globo. A ação solicitava a detenção do apresentador da TV Globo por incentivar a vacinação contra a Covid-19 em crianças e adolescentes.

O autor do requerimento, o advogado Wilson Issao Koressawa, entrou com um mandado de segurança cível acusando o profissional de participar de uma suposta organização criminosa, composta por outros jornalistas da emissora, para falar sobre os impactos positivos da imunização contra a doença causada pelo novo coronavírus e o combate à pandemia.

Koressawa ainda declarou, sem apresentar evidências, que Bonner comete os crimes de indução de pessoas ao suicídio, de causar epidemia e de “envenenar água potável, de uso comum ou particular, ou substância alimentícia ou medicinal destinada a consumo". E solicitou que ele fosse proibido de "incentivar a vacinação obrigatória de crianças e adolescentes e a exigência de passaporte sanitário".

A juíza responsável pela decisão, Gláucia Foley, classificou o pedido do advogado como descabido, declarando que a iniciativa se assemelha a panfletagem política ao recorrer a teorias da conspiração sem qualquer base científica ou jurídica.

"O poder Judiciário não pode afagar delírios negacionistas, reproduzidos pela conivência ativa — quando não incendiados — por parte das instituições, sejam elas públicas ou não" GLÁUCIA FALSARELLA P. FOLEY (juíza do TJDFT)

"Além disso, a decisão do Supremo Tribunal Federal, na ADPF 130/DF, consagrou o entendimento de que o exercício da liberdade de imprensa assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, especialmente contra autoridades e agentes do Estado. Para Eugênio Bucci, aliás, mais do que direito do jornalista, a liberdade de informação é direito do cidadão e dever da imprensa”, completou.

Além de Bonner, o advogado ainda solicitou a suspensão da “vacinação obrigatória em todo o país, principalmente de crianças e de adolescentes, bem como da exigência do passaporte sanitário, até que sejam realizados exames periciais dos componentes de todas as vacinas”. A magistrada que analisou o pedido determinou o arquivamento do processo.

A juíza Foley destacou que o jurista não tem legitimidade de pleitar a prisão preventiva, visto que os crimes citados são de ação penal pública, e disse que a representação é incompatível com a vara criminal à qual foi submetida.

O apresentador William Bonner não quis comentar o caso, mas publicou uma foto nas redes sociais usando a data de domingo, dia de análise do pedido de prisão, como legenda.