Soraya diz que Bolsonaro é 'uma pessoa doce' e que curso nos EUA custou R$ 36 mil - Caarapó Online

Caarapó - MS, terça-feira, 24 de setembro de 2019


Soraya diz que Bolsonaro é 'uma pessoa doce' e que curso nos EUA custou R$ 36 mil

Senadora de MS disse ainda não acreditar que cortes na Educação deve prejudicar universidades, pois os cortes forma de alguns itens que se tiverem boa gestão poderão ser administrados

Publicado em: 03/06/2019 às 18h10

Celso Bejarano

Escolhida para presidir o PSL Mulher, na semana passada, a senadora sul-mato-grossense (nascida em Dourados) Soraya Thronicke (PSL-MS), em entrevista a Universa, plataforma do UOL, disse que o presidente Jair Bolsonaro é um “doce” e que no ano passado pagou um curso que durou cinco dias, em Harvard, universidade dos EUA, que custou R$ 36 mil, isto é uma média de R$ 7,2 mil por dia.

No diálogo com a reportagem de Universa, ela fala das diferenças que têm com as feministas e afirmou discordar da ideia que o ministério da Educação vá promover cortes em universidades.

Na entrevista, Soraya, ao ser questionada sobre o curso que havia feito nos EUA e que aparece em seu currículo político, o Women and Pouwer (Mulheres e Poder), afirmou primeiro que o estudo durou mais ou menos um mês, mas o prazo foi acertado depois pela assessoria da parlamentar.

Veja alguns trechos da conversa da senadora com a repórter Camila Brandalise, da Universa:

Quais são as principais diferenças entre a senhora e as duas outras figuras femininas de destaque no PSL, Joice (deputada federal por São Paulo) e Janaina Paschoal (deputada estadual por São Paulo)?

As duas são mais famosas e têm mais seguidores nas redes sociais. Não me dediquei tanto a isso quanto elas. A Janaína teve um vídeo na época do impeachment divulgado nacionalmente. A Joice vive na mídia. Ganhei com o menor número de seguidores entre os candidatos que concorreram comigo para o Senado.

A senhora gosta de dizer que terá "uma pauta feminina, não feminista". O que isso quer dizer?

Nossa pauta é conservadora. Trazemos valores como proteção à vida, somos contra o aborto, contra as drogas, a favor da moral, do patriotismo e da família. Feministas têm pauta pró-aborto e outras posições, diferentes das nossas. Outra coisa é o respeito à língua: não aceito ser chamada de presidenta. Sou presidente. Também acredito que temos de nos unir, homens e mulheres; e feministas nunca elogiam ou agradecem a um homem. Eu sempre faço isso. Por isso digo que que nossas pautas são feminist... Perdão! Femininas.

Quando a senhora diz que pretende proteger valores como a família, entende por família o mesmo que o presidente Bolsonaro entende: homem, mulher e filho?

Não. E essa opinião não representa a mentalidade geral do partido. Família é onde tem amor. Até cachorro faz parte da família. Mãe solteira também, e digo isso sem pestanejar, assim como a família homossexual.

Diga, por favor, três projetos que a senhora tem para esse cargo

Vou trabalhar em parceria com o Indigo (Instituto de Inovação e Governança, criado pelo PSL) para capacitar mulheres para a política. Essa é a prioridade. Vamos organizar palestras de autoajuda nos 27 estados brasileiros e ensinar não só questões econômicas e políticas, mas também levantar a autoestima delas. Muitas não entram nesse meio porque acham que não conseguem. Queremos inspirá-las com nossos casos: 90% das mulheres do PSL estão no primeiro mandato. Queremos ter 40% de participação feminina no partido e ultrapassar a obrigatoriedade legal, que é de 30%. Haverá a luta na proteção da mulher, mas essa é uma bandeira óbvia. Quero fazer coisas diferentes. Violência doméstica, feminicídio, são pautas batidas, de todo dia.

A senhora defende cotas para mulheres na política, mas já afirmou que "cotas são coisas de país atrasado". Não vê incongruência?

Não. O certo seria que culturalmente as mulheres já se sentissem confiantes e com espaço favorável na política. Mas a lei que temos no país é essa, vamos respeitá-la. Tentaremos evoluir. Quem sabe um dia não precisemos dela

Que elogio faria a Jair Bolsonaro?

Diria que ele é uma pessoa doce. Na quinta-feira (30.05), participei de um café da manhã com ele e mais 69 mulheres do Congresso. Queríamos que elas o conhecessem como eu o conheço. Dizem que ele é misógino, mas quando faz algo bacana, ninguém fala nada. O presidente defendeu que mulheres se aposentem antes [62 seria a idade mínima para elas, e 65, para eles], mas nenhuma feminista o parabenizou pela sensibilidade. Elas defendem a igualdade mas, nesse caso, não reclamaram que o presidente foi desigual. Eu sou a favor de que a mulher se aposente antes do homem.

O governo anunciou um corte de verbas para o ensino superior, que pode trazer risco às pesquisas desenvolvidas nas universidades. A senhora, em sua campanha, disse que iria "incentivar pesquisas em todas as áreas e priorizar a qualidade do ensino de base". A decisão do governo vai de encontro à sua proposta. Tomou alguma atitude?

Fui procurar o ministro da Educação [Abraham Weintraub] para falar sobre isso, e ele disse que ninguém vai deixar de pagar suas contas e que está chamando os reitores que estão com problemas para conversar. Weintraub tem descoberto que há universidades gerindo mal o dinheiro. Então é um bom momento para organizar os gastos. O que queremos é transparência. Quem passar necessidade é só procurar o MEC.

Em seu currículo, consta que a senhora "cursou a Escola de Governo da Universidade de Harvard J F. Kennedy, nos Estados Unidos da América". Que curso é esse?

Fiz um curso chamando Women and Power, ou mulheres e poder, em abril de 2018. Durou um mês mais ou menos. Eram 72 mulheres de 17 países. [A senadora pede para encerrar a entrevista e, depois, sua assessora de imprensa informa que o curso durou cinco dias e custou R$ 36 mil de inscrição].

A senhora foi responsável pela decoração dos quartos dos motéis de propriedade de sua família, no Mato Grosso do Sul, em 2015. De onde veio a inspiração?

Foi uma questão de criatividade. Tenho esse dom para a decoração. Me inspirei em quartos de motéis pelo mundo. Queria deixá-los elegantes.