UFMS aponta erros em 20 questões que reprovaram 99,46% dos professores - Caarapó Online

Caarapó - MS, sábado, 15 de agosto de 2020


UFMS aponta erros em 20 questões que reprovaram 99,46% dos professores

UFMS aponta erros em 20 questões do concurso que reprovou 99,46% dos professores e deixando os concursandos desapontados

Publicado em: 02/08/2019 às 06h27

Edivaldo Bitencourt

Parecer elaborado por doutores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) apontou erros em 20 questões do concurso público do magistério, que reprovou 99,46% dos 14 mil inscritos no ano passado. Com base no documento, o Ministério Público Estadual recomendou a anulação de 16 questões, nova correção nas provas e reclassificação dos candidatos para a segunda fase.

A recomendação do promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, da 30ª Promotoria do Patrimônio Público, foi encaminhada às secretarias estaduais de Educação e de Administração e Desburocratização. Conforme o documento, publicado hoje (veja o diário aqui), o Governo poderá acatar o pedido ou será alvo de ação judicial.

A análise da universidade reforça as centenas de reclamações dos professores, que reclamaram da má qualidade de impressão da prova, erros gravíssimos na formulação das questões e até questões sem resposta.

A polêmica atingiu o ápice com a divulgação do resultado, que apontou a reprovação de 13.396 candidatos e a aprovação de apenas 74 docentes. Inédito no País, o alto índice de reprovação levou 7,5 mil a assinaram o pedido para anular o certame realizado pela Funrio, fundação ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Após pedir explicações do Governo, da fundação e ouvir professores, o promotor pediu parecer de doutores da UFMS. A grande surpresa é que eles concluíram pela procedência das queixas.

Seis questões abordavam temas não previstos no edital (48, 54 e 66 de História; 55 de Arte; 69 de Física e 70 de Sociologia). Outras seis perguntas da prova apresentaram mais de uma opção correta (45 e 52 de Português; 50, 56 e 69 de Sociologia; e 60 de Arte).

Os especialistas da Universidade Federal revelaram que quatro questões não apresentaram a opção correta. Esse problema gravíssimo ocorreu nas questões 43, 58, 68, e 76 de Matemática. Outras quatro questões não apresentaram o enunciado para a solução do problema (64 e 72 de Física; 44 de Química e 33 de Português).

O parecer apontou ainda outros problemas, como “a baixa qualidade da impressão de gráficos e figuras; redação confusa de enunciados e erros de formulação das questões, os vícios apontados, dentre os quais a inclusão de matérias não previstas em Edital; pluralidade alternativas corretas; ausência de informações no enunciado, essenciais a resolução das questões e a ausência de assertiva correta dentre aquelas constantes na resposta, caracterizam ilegalidade insanável, passível de controle judicial”.

Com base no parecer, o promotor decidiu determinar a “republicação do resultado da primeira fase do concurso público para provimento de cargos de professor da Rede Estadual de Ensino, observada a eventual nova ordem de classificação dos candidatos”.

Caso acate a recomendação, o Governo se encarrega de cumprir a segunda recomendação: “refazimento das fases subsequentes do certame, com a convocação dos candidatos aprovados conforme a eventual nova ordem de classificação”.

As secretarias têm 15 dias para responder se acatam a recomendação.

Os erros gravíssimos nas provas do concurso do magistério vêm se somar aos problemas da educação na gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB). No início do mês passado, o tucano reduziu em 32,5% os salários dos professores convocados e esticou o prazo para cumprir o acordo de pagar 100% do piso nacional aos efetivos.