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Caarapó - MS, terça-feira, 24 de setembro de 2019


Mortos há décadas, pai e filho se encontram em cruzamento movimentado

Entre as histórias de quem dá nome às ruas da cidade, Pedro Celestino ainda encontra o filho Fernando Corrêa da Costa

Publicado em: 19/08/2019 às 08h31

Campo Grande News

Algumas “coincidências” estampadas nas placas são tão pouco conhecidas que acabaram anônimas. O cruzamento da Rua Pedro Celestino a Avenida Fernando Corrêa da Costa, por exemplo, guarda as histórias de pai e filho, que décadas depois da partida se encontram em um dos lugares mais movimentados da cidade.

Pedro nasceu em um sítio da Chapada dos Guimarães, em 5 de julho de 1860. Era farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas estreiou na política como governador de Mato Grosso, entre 1908 a 1911, e depois entre 1922 e 1927. Também foi senador e líder do Partido Republicano Mato-Grossense. O filho, Fernando, nasceu em Cuiabá, em 29 de agosto de 1903, tornou herdeiro político e governou Mato Grosso entre 1951 e 1956 e de 1961 a 1966.

Atualmente, entre as figuras conhecidas da família Corrêa da Costa que carrega “nas veias” a atuação política, está a bisneta de Pedro Celestino, também atual ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, de 65 anos, essa ministra é bem campo-grandense.

Hoje, o comércio ocupa os prédios antigos do cruzamento que já foram moradias. As placas que simbolizam esse encontro eterno também surpreendem quem há muito passa por ali. “Eu não sabia dessa coincidência, que interessante saber disso”, diz Warley Davidson Lopes, de 43 anos, encarregado de uma distribuidora de botijões de gás.

Há 10 anos trabalhando no mesmo endereço, ele acredita que poucas das pessoas que passam por ali diariamente sabem da história. “Só quem um dia voltou no tempo e estudou sobre essas pessoas”, diz.

Nem comerciante antigo escapa da surpresa. Ricardo Madrid Saad, mora e trabalha ali o mesmo tempo que tem de nascimento, 46 anos, e nem desconfiava da identidade dos nomes. “Eu não sabia, mas dia desses, inclusive, atendi um cliente que parou ali, olhando fixamente para as placas e comentando que alguém fazia parte da família. Mas não sabia desse detalhe de pai e filho”, afirma, lembrando-se do dia que atendeu o irmão da então ministra, bisneta de Pedro Celestino.

Ricardo tem lembranças do passado da Pedro Celestino. (Foto: Kísie Ainoã)

Ricardo tem lembranças do passado da Pedro Celestino. (Foto: Kísie Ainoã)


Comerciantes e funcionários relatam também uma história de “amor e susto” com o endereço. “Essa esquina é muito movimentada, mas nem todo mundo respeita a curva. Correm e batem nos estabelecimentos”, conta o encarregado.