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Caarapó - MS, quarta-feira, 16 de outubro de 2019


Novas projeções apontam aumento de 7ºC em 2100

Cientistas calculam que aquecimento global pode ser maior do que o previsto

Publicado em: 18/09/2019 às 06h35

Vilhena Soares

Elaborados por cientistas franceses, novos modelos climáticos que servirão de base para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), previsto para 2021, indicam que o aquecimento global pode ser maior do que o previsto. As projeções sinalizam um cenário de aumento da temperatura média mundial em 7ºC em 2100. Até então, o cenário mais pessimista no IPCC de 2014 previa +4,8ºC em relação ao período pré-industrial.

Uma das consequências diretas será a maior recorrência de ondas de calor fatais já nos anos 2050 — em 2003, o fenômeno matou 15 mil pessoas na Europa. Elas serão acompanhadas de “secas muito mais longas e prolongadas”, “práticas agrícolas em grandes dificuldades” e “incêndios florestais que se multiplicam em regiões em que hoje não são muito frequentes”, aponta David Salas y Melia, responsável pelo clima no Centro de Pesquisa Météo-France-CNRS.

Cerca de 100 pesquisadores e engenheiros franceses, principalmente do CNRS, do Comissariado para a Energia Atômica e da Météo-France, trabalharam na elaboração de dois modelos climáticos que servirão de base do novo IPCC. Esses modelos foram, em seguida, submetidos a vários cenários socioeconômicos.

No mais pessimista, com base em um crescimento econômico rápido alimentado por energias fósseis, o aumento da temperatura média mundial atingirá de 6,5ºC a 7ºC em 2100. O mais otimista, com base em uma forte cooperação internacional e prioridade dada ao desenvolvimento sustentável, estima aquecimento logo abaixo da meta de 2°C. O Acordo Climático de Paris de 2015 prevê limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C, ou mesmo 1,5°C.