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Caarapó - MS, quarta-feira, 16 de outubro de 2019


Ouvido está com zumbido? Conheça as possíveis causas e o que fazer

Problema afeta 28 milhões de brasileiros de diferentes idades

Publicado em: 18/09/2019 às 06h40

Marília Padovan

Popularmente conhecido como zumbido, o tinnitus ou acúfeno é semelhante ao som de apito, cachoeira ou mesmo de uma cigarra, e chega a incomodar 28 milhões de brasileiros de diferentes idades. É provável que, em algum momento da sua vida, você ouça esse famoso barulhinho.

O som, por si só, não é uma doença, mas pode representar um sinal de que algo não vai bem com a saúde auditiva. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o problema afeta 280 milhões de pessoas no mundo.

Trata-se de um som que é percebido pela pessoa quando nenhuma fonte externa o produz - uma espécie de barulho fantasma, que surge em algum ponto da via auditiva e se estende até o córtex auditivo, no cérebro.


Os sons são avaliados nas áreas subcorticais do sistema nervoso central. Quando não são considerados importantes, acabam descartados e não os percebemos. É o que ocorre, por exemplo, com algum barulho de fundo no ambiente, como de um ar-condicionado. Mas, se considerados relevantes, os sons são conduzidos até o córtex para serem percebidos de forma consciente. É o processo que ocorre com o zumbido.

De acordo com o responsável técnico pela otorrinolaringologia da Rede D’Or, Márcio Nakanishi, o zumbido é apenas um sintoma, como a febre e a dor. Não se trata de uma doença. “Ele pode ser indício de algum outro problema que, na maioria dos casos, é algo nada grave”, diz o médico. “Mas é essencial que a causa do som constante seja detectada.”

Classificado em transitório ou persistente, na segunda opção o zumbido apresenta-se em 17% da população. Em até 20% dos casos diagnosticados, pode ser considerado severo, o que representa grande impacto na qualidade de vida do paciente. Segundo a American Public Health Agency, é o terceiro sintoma que mais causa incômodo, perdendo apenas para dores e tonturas intensas.

A lista de possíveis causas é longa e engloba fatores determinantes, como bruxismo, transtornos da mastigação, alterações musculares, cardiovasculares e neurológicas, distúrbios psiquiátricos e até tumores na via auditiva. O risco de algo mais grave surgir a partir do zumbido pode ser zero, em casos como acúmulo de cera, explica Nakanishi. “Mas uma infecção no ouvido pode se espalhar para outros lugares”, alerta.

A recomendação é procurar ajuda médica logo nos primeiros sinais. “É essencial que um profissional seja consultado, para que a causa do problema seja estudada e solucionada o quanto antes”, orienta o médico.

Como se manifesta em condições diferentes, o tratamento deve ser individualizado. Em casos relacionados à perda auditiva, um dos tratamentos mais utilizados para aliviar o desconforto do zumbido é a reabilitação com uso de aparelhos auditivos.

Palavra do especialista


O zumbido pode surgir como efeito colateral de algum remédio?

Sim. Existem medicamentos ototóxicos, ou seja, que são tóxicos para a orelha interna, que podem gerar tanto o zumbido quanto a perda auditiva. Quando o histórico do paciente é analisado pelo médico, é preciso ficar atento a essa questão.

Existem níveis de gravidade do zumbido?

A gravidade varia, na verdade, com a causa do problema. Mas podemos relacioná-la às características do zumbido, que são: intensidade, duração e tipo de ruído.

Alguma faixa etária específica é mais afetada pelo problema? Crianças também podem ter?
Nenhuma pessoa está completamente livre do zumbido no ouvido. Até mesmo crianças podem sofrer com a complicação, mas, devido ao aumento da incidência da perda auditiva, os adultos e idosos são os mais afetados.


Rafaela Aquino é otorrinolaringologista, especialista em ouvido, do Hospital Santa Luzia em Brasília (DF).

Sintomas


- Ouvir sons que não vêm de qualquer fonte externa.


- Os sons fantasmas variam entre toques, cliques, zumbidos, ruídos, barulhos que lembram uma cigarra, um rádio ou até mesmo um jato de água.


- O zumbido pode surgir em um ouvido de cada vez (unilateral) ou em ambos (bilateral);


- Históricos de distúrbio ou infecções do ouvido;


- Algum grau de perda auditiva;


- Acúmulo de cera no ouvido;


- Transtornos cardiovasculares que afetam o fluxo sanguíneo, as artérias e os nervos;


- Acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos;


- Pressão alta;



- Exposição prolongada a sons altos;


- Problemas odontológicos referentes ao abrir e fechar da boca;


- Deficiência de zinco;


- Em casos mais graves, tumor na via auditiva.


Grupo de risco



- Pessoas que fumam ou ingerem bebidas alcoólicas com muita frequência têm maior risco de desenvolver o zumbido.


Diagnóstico



Para diagnosticar o problema e detectar a origem do zumbido é feita uma série de exames, como:


- Exame físico detalhado da parte otológica;


- Avaliação audiológica complementar, para avaliar possíveis perdas auditivas;


- Exames complementares de imagem do aparelho cardiovascular ou análise de ortodontistas e fisioterapeutas.


Tratamento



- É necessário descobrir a causa do problema;


- Quando o transtorno está relacionado à perda da audição, é indicado o uso de aparelho auditivo:



- Quando não se detecta uma causa, profissionais da área costumam indicar as terapias cognitivo-comportamentais e de retreinamento do tinnitus, entre outras;

 
- A terapia cognitivo-comportamental visa reestruturar os pensamentos negativos desencadeados pela percepção do zumbido;


- O retreinamento do tinnitus é uma terapia moderna, que une o aconselhamento terapêutico ao enriquecimento sonoro e treina o cérebro para filtrar e descartar o estímulo do zumbido.


Cuidados



O que se deve evitar:



- Alimentos com muita cafeína e açúcar, como Coca-Cola, chocolate, café, bebidas energéticas;



- Exposição ao som alto (acima de 75 decibéis);




- Uso de cotonetes;



- Bebidas alcoólicas e tabaco.