Terça-feira, 20 de outubro de 2020

Projeto que limita juros do cartão de crédito deve ser engavetado na Câmara

Rodrigo Maia diz que medida que limita teto de juros em 30% poderia encarecer outras linhas

Publicado em: 10/08/2020 às 06h45


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou que não deve colocar para votação o projeto aprovado pelos senadores que limita em 30% ao ano os juros cobrados no cheque especial e no cartão de crédito em operações contratadas até o fim de 2020.


Conforme especialistas ouvidos pela mídia digital, a proposta seria positiva para os clientes, mas o sistema bancário pode embutir outras formas de compensação.

A mesma justificativa é usada por Maia. Segundo o parlamentar, uma intervenção do Congresso nesse sentido pode provocar efeito colateral em outras linhas, encarecendo e limitando o crédito para os consumidores.

Na visão do presidente da Câmara, os bancos precisam encontrar de maneira rápida “soluções” para produtos tão “nocivos” aos clientes.


“Os bancos têm que criar novos produtos no lugar do cartão de crédito e do cheque especial. Não dá mais para a sociedade pagar essas taxas de juros. Mas as soluções não são de intervenção no mercado financeiro. As soluções têm que vir dos próprios bancos, que precisam entender que vão abrir mão de uma receita. Da mesma forma que a sociedade não aceita mais pagar impostos, ela não aceita mais pagar os juros do cheque especial e do cartão de crédito”, disse Maia ao Estadão, ressaltando que o projeto é daqueles que “tem cara boa, mas gera muitos problemas”.


Com a limitação dos juros em 30% ao ano, uma dívida de R$ 1.000, por exemplo, atingiria um montante de R$ 1.300 no decorrer de um ano. Caso sobre esta dívida incidam os juros atuais do cartão de crédito rotativo (320% ao ano), em um ano ela passaria de R$ 1.000 para R$ 4.200 aproximadamente.